Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. (caio fernando abreu)
Quando penso que poderia ser diferente, bate aquela saudade e aquele pingo de arrependimento, sabe? De não ter feito o que eu realmente queria. Mas eu tenho essa mania de não dizer nada, mesmo sentindo tudo. De querer e evitar. E assim acabo perdendo chances que talvez nem voltem mais. Mas é que eu me preocupo em me defender, mesmo que doa. Muito. E até acho que tô preferindo assim, criando essa armadura por fora. Se eu mostrar demais o que eu sinto, a probabilidade de quebrar a cara só aumenta. E como aumenta. E eu não tô preparada para quebrar a cara, outra vez.
Bianca (contra-dizer)